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Governo prevê decreto do fim da escala 6x1 para segunda-feira
- Silvana Nadir Garcia Machado MTE - 103/MS
- 04/11/2026
Por: Agência Brasil
O
decreto que regulamentará o fim da escala de trabalho 6x1
deve sair na próxima segunda-feira (9), disse nesta quarta-feira (4) o ministro
do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.
O
texto estabelecerá diretrizes para a organização das jornadas e garantir pelo
menos oito folgas por mês aos trabalhadores.
Seguindo
Marinho, o decreto será discutido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
nesta quinta-feira (5) e deverá orientar a implementação das novas regras por
meio de negociações coletivas.
A
regulamentação também deverá permitir flexibilidade na organização das escalas,
desde que sejam respeitados os direitos previstos na Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) que extinguiu o modelo de seis dias de trabalho para um de
descanso.
Decreto
Segundo
Marinho, o decreto terá como objetivo coordenar a adoção das diferentes escalas
de trabalho nos setores econômicos, sem comprometer os direitos dos empregados
nem o funcionamento das empresas.
“Soltaremos
o decreto regulamentador para trazer o processo coordenado para a implantação
das várias escalas que cada setor pretende implantar, sempre respeitando o
comando da PEC”, afirmou o ministro.
A
publicação, inicialmente prevista para esta semana, foi adiada após Lula não
conseguir realizar o despacho sobre o tema. A expectativa do Ministério do
Trabalho é concluir a regulamentação na próxima segunda-feira.
Folgas
e negociação
A
proposta prevê que os trabalhadores tenham, no mínimo, oito folgas em um
período de 30 dias. A
distribuição dos descansos poderá variar conforme as características de cada
atividade, desde que respeitadas as condições estabelecidas pela PEC e pelos
acordos coletivos.
Marinho
explicou que a flexibilização poderá permitir diferentes combinações de
jornadas semanais, conforme as necessidades de cada setor.
“Não
tem lista de flexibilidade. A PEC determina dois descansos semanais. A
flexibilidade concedida é que essas duas folgas estejam consolidadas dentro do
mês”, declarou.
O
ministro destacou que os acordos coletivos terão papel central na organização
das escalas. A prioridade, segundo ele, será a negociação entre empresas e
representantes dos trabalhadores, com possibilidade de convenções nacionais que
facilitem a adesão dos diferentes estados.
A
regulamentação também deverá contemplar setores que funcionam continuamente,
como atividades de saúde, transporte, segurança e limpeza urbana.
Redução
da jornada
A
proposta de mudança na jornada de trabalho prevê a redução gradual da carga
horária semanal, atualmente de 44 horas, para 40 horas.
De
acordo com as informações divulgadas pelo governo, a implementação deverá
ocorrer a partir de 15 de dezembro, respeitando as condições estabelecidas na
regulamentação.
O
Congresso Nacional promulgou, em 16 de outubro, a PEC que extingue a escala 6x1
e estabelece uma jornada de cinco dias de trabalho para dois de descanso.
Marinho
afirmou que o objetivo do governo é garantir a proteção dos trabalhadores
durante a transição, sem prejudicar a atividade econômica.
Críticas
ao mercado
Durante
a entrevista coletiva em que apresentou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged),
o ministro também criticou a reação do mercado financeiro às discussões sobre
propostas alternativas para a política econômica.
A
manifestação ocorreu após questionamentos sobre as ideias do economista André
Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, que defende mudanças na
condução das políticas fiscal e monetária.
Marinho
afirmou que o presidente Lula deve ter liberdade para ouvir diferentes
contribuições, mesmo quando elas divergem das posições defendidas por agentes
financeiros.
“O
que eu acho um absurdo é que qualquer tentativa de discussão que não esteja no
quadradinho do chamado mercado da Faria Lima há uma grita contra”, declarou.
O
ministro também criticou a resistência do mercado à discussão de alternativas
para a taxa básica de juros e defendeu que diferentes propostas sejam avaliadas
pelo governo.
“É
um absurdo o comportamento do tal mercado, da tal da bolsa. Isso tudo para
levar a um nervosismo. Não pode escutar as pessoas? É um tremendo de um
comportamento inadequado”, afirmou.
Marinho
acrescentou que os juros elevados representam um obstáculo para o Estado, as
empresas e a sociedade.
“O
que é inaceitável é continuar no patamar de juros que nós pagamos, isso é ruim
para o Estado brasileiro, ruim para as empresas e a sociedade no geral”,
concluiu.
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