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Ministério da Saúde suspende vacina contra a dengue do Butantan
- Silvana Nadir Garcia Machado MTE - 103/MS
- 09/06/2026
Por: Agência Brasil
O Ministério da Saúde anunciou,
nesta segunda-feira (8), a suspensão temporária da imunização contra a dengue
no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan.
A pasta informou que 42 pessoas
apresentaram sintomas mais severos após a vacinação, sendo que três precisaram
de internação e dois desses morreram.
O ministro da Saúde, Alexandre
Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram
causados pela vacina, mas representam um sinal de alerta e serão investigados
por um comitê de especialistas.
Essa descontinuidade
tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a
Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e o Butantan aprofundem
a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da
vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de
estudo de caso-controle”, disse em coletiva de imprensa.
“O
Ministério da Saúde tem total confiança na capacidade institucional do
Butantan”, destacou Padilha ao enfatizar a importância da vacinação para a
redução e eliminação de doenças no país.
A suspensão vale apenas para a vacina produzinda pelo Butantan, e não
inclui o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda e aplicado no
Sistema Único de Saúde.
Até o dia 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do
Butantan foram aplicadas em todo o país. O
imunizante foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste
ano. Na ocasião, o Ministério da Saúde adotou a estratégia de vacinação para
avaliar o impacto do imunizante na dinâmica populacional da dengue.
Para
isso, passou a vacinar a população em três municípios-piloto: Botucatu (SP),
Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo é composto
por adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, que é a indicação aprovada para o
Programa Nacional de Imunizações (PNI). Em março, também foi promovida uma ação
de vacinação na região de Araguaína (TO).
Em
fevereiro, o SUS passou a vacinar contra a dengue os profissionais de saúde da
atenção primária, com a previsão de imunizar
1,2 milhão de trabalhadores da linha de frente, de unidades básicas
de saúde, por exemplo. Os casos graves registrados foram identificados nesse
público-alvo.
O Ministério da Saúde destaca que a decisão de descontinuar a estratégia
de vacinação não
invalida a eficácia do imunizante. E
as pessoas que foram vacinadas ainda usufruem do benefício que a vacina
oferece, que é a proteção contra a dengue.
A
recomendação do sistema de farmacovigilância dá mais tempo para que sejam
realizados estudos adicionais para encontrar eventuais fatores de risco.
Serão
investigados o histórico clínico das pessoas, as doenças preexistentes, os
fatores de risco individuais, as causas alternativas, possíveis desvios de
qualidade e erros de imunização.
Casos graves
A
vigilância é permanente e parte da rotina do PNI, com fluxo de investigação
posterior. Os casos graves foram analisados pelo Comitê Interinstitucional de
Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara
Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendou a suspensão da
vacinação com o imunizante do Butantã.
Das pouco mais de 500 mil doses aplicadas em todo o país, 3.703 pessoas
tiveram sintomas parecidos com os da dengue – 0,7% do total de vacinados.
Desses,
42 apresentaram sintomas de alarme, que são: dor abdominal, vômito persistente
ou sangramento – 0,008% dos vacinados – eventos raros, porém inesperados, já
que não foram relatados durante a fase de estudos da vacina.
Três pessoas apresentaram sintomas graves e foram hospitalizadas:
Uma mulher, 39 anos, apresentou febre, mialgia e náuseas
seis dias após receber a vacina, evoluindo para sintomas de dengue grave, com
choque e necessidade de UTI; recebeu alta.
Uma mulher, 48 anos, desenvolveu sintomas de dengue grave,
com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após a vacinação;
evoluiu para óbito.
Um homem, 58 anos, iniciou quadro febril cinco dias após a
vacinação, evoluindo rapidamente para sintomas de dengue graves, com choque
refratário; evoluiu para óbito.
Observação
Segundo o ministro Alexandre Padilha, a população que recebeu a vacina do
Instituto Butantan nos últimos 21 dias terá um acompanhamento especial
para identificar algum sinal ou qualquer outra reação adversa.
A
orientação do Ministério da Saúde é procurar uma unidade de saúde em caso de
intensificação dos seguintes sintomas: febre, dor abdominal intensa e contínua,
vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa,
irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral.
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